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TOP 100 TRAPGROUND: O SOM UNDERGROUND REAL

A constância e evolução de sonoridade do Ryu, The Runner

A constância e evolução de sonoridade do Ryu, The Runner

O Ryu, The Runner nunca foi sobre número ou fase boa. O que sempre me pegou nele é outra coisa. É como o som muda, cresce, mas não perde a cara. E hoje isso é raro pra caralho no trap brasileiro.

Em menos de cinco anos de carreira oficial, o Ryu saiu de um cenário bem simples, seguro-desemprego, quarto fechado, home studio montado no limite, e virou um nome que muita gente já coloca no top da cena. E não é exagero. O corre foi real. Ele mesmo já falou que se trancou no quarto pra buscar evolução, tentar fazer algo diferente, algo que fizesse sentido pra ele antes de qualquer outra pessoa.

Foi daí que saiu o primeiro álbum, Essa é a Vida de um Corredor. Tudo feito em casa, sem gravadora, sem estúdio caro, só ideia, obsessão e vontade de virar o jogo. O disco tem aquele clima cru, de começo de caminhada, mas já dava pra sentir que ele não tava copiando ninguém. O som tinha identidade, mesmo ainda em construção. Uma faixa que representa bem esse início é BUSINESS. Foi ali que muita gente começou a prestar atenção de verdade. Não era só hype momentâneo. Dava pra ver que tinha visão, disciplina e um artista pensando no próximo passo enquanto ainda tava no primeiro.

O que me chama atenção é que, diferente de muita gente da cena, o Ryu nunca ficou confortável repetindo fórmula. Enquanto vários artistas ficam presos em beats iguais, flows iguais, estética igual, ele foi abrindo o leque. Começou a misturar varios elementos com outras referências, umas paradas mais experimentais… e mesmo assim o som continuava sendo dele. Não parecia forçado, parecia natural.

A grande virada, pra mim, acontece em 2024 com SEMRÉH e a fase Final Sprint. Ali ele para de ser só promessa da cena e vira referência. O projeto veio fechado, coeso, com começo, meio e fim. Feats que fazem sentido, produção mais trabalhada, letra mais consciente do próprio lugar que ele ocupa. Embalo explode, viraliza, chega em todo canto. Mas o mais foda não é só o alcance. É que o som mostra que ele entendeu como crescer sem perder a essência.

Depois disso, muda o jeito que a cena olha pra ele. Muda o tamanho dos palcos. Muda o tipo de conversa. Em 2023, quando ele entra na GR6 e Som Livre, muita gente poderia achar que isso ia diluir a estética. Mas aconteceu o contrário. A estrutura veio pra somar. Deu tempo, calma, planejamento. O Ryu passou a trabalhar com mais qualidade, sem se atropelar, sem lançar coisa só por lançar. Isso fica muito claro em 2025, com Adulto Ideal. Aqui ele soa mais maduro, mais seguro, mais no controle. Não é mais só fome. É consciência. Faixas como SWAG EVERY DAY mostram um artista que sabe exatamente quem é, o que quer falar e como quer soar.

O que fechou o álbum com chave de ouro foi ele e o Tchelo, depois da treta que rolou entre eles. A faixa final mostra que eles resolveram as diferenças, e ainda criou um momento pesado de reconciliação artística, que deu respiro e maturidade pro projeto inteiro. Pra mim, o diferencial do Ryu tá muito nisso. Ele não força personagem. Não romantiza quebrada, mas também não finge que veio de outro lugar. Fala de ambição, dinheiro, disciplina, corre, crescimento pessoal… tudo de forma direta. Isso conecta muito com a galera nova que vê o trap como caminho real, não como fantasia.

O crescimento dele também nunca foi artificial. Foi base construída aos poucos: TikTok forte, clipes com milhões de views, shows cada vez mais pesados, colaborações que fazem sentido. Tudo orgânico. Tudo consequência. Recentemente, o Ryu anunciou que Adulto Ideal Vol. 2 já está em produção e deve sair em breve. MIXTAPE vai seguir a estetica underground, com produções quentes e feats grandes.

Ele já soltou duas prévias no Instagram que chamaram muita atenção: “Potência” (ft. Emitê Único) e “Férias”, que ultrapassou 2 milhões de views.

Fontes: Ep podpah #649 & #804 e redes sociais do artista

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